Lisboa, Minha Amada

Dei uma grande volta

E estou de volta a ti

Lisboa,

Minha amada,

Mulher difícil tu és

Mas eu te amo como és

Aceitas-me de volta?

.

Abres-me a porta

Para o teu coração

Minha amada

Acolhes o cansado pássaro na tua mão

Por favor

Não me encarceres outra vez

Nessa tua gaiola dourada

Em que estive prisioneiro

Durante dias, meses e anos…

Sofri e sofri muito

De solidão,

Discriminação,

Um dia me davas atenção

Noutro soltavas uma gargalhada macabra

Na sombra do Outro vivia

Nessa gaiola tua

Sim deste-me comida, casa e sustento

Mas a Luz não chegava aí dentro…

.

Por isso quando vi a gaiola aberta

Escapei

Seguindo o canto de um cuco viajante

Atravessei mares, rios e vales

E cheguei a conhecer as tuas Irmãs

Falei sobre ti

Minha amada

És amada e odiada ao mesmo tempo

Pelo sofrimento que causaste

 Ao mundo

.

Sou pássaro Livre agora

Como as nuvens dançantes no Céu

Por favor

Não me encarceres

Nessa tua gaiola dourada

Minha amada não,

Respeita-me como sou

E eu conto-te as minhas viagens

Te cantarei o que eu sinto por ti

Mas quando for tempo

Voarei para os quatro cantos do Mundo

.

Aceita a minha Liberdade

Minha amada,

E juntos podemos ser felizes

Até essa próxima jornada

.

Esta é a vida de viajante

Escolhi e não escolhi

Desculpa

Mas eu aceito o que me foi dado

E tento fazer o melhor dele

Perdoa-me por não estar sempre para Ti

Mas no meu coração você está

Aí nesse altar secreto

Jaz o meu Amor por si

.

Lisboa

Cidade amada

Vestida de cores

Bronzeada do Sol

És caprichosa como a Lua

Teimosa como a maré

Vais e vens,

Em tristeza de fadista

Às vezes

És tímida,

Escondida por detrás das tuas

Irmãs europeias

Mas não tens nada a menos que elas

Só a mais…

Mas não fiques demasiada convencida

Amor

Tens de ter cuidado com essa tua atitude de superior

Sabes que ainda magoas as tuas Irmãs

Do Brasil, Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné, Guiné-Bissau,  São Tomé e Príncipe…

Por favor não continues com este

Ciclo vicioso

Colonial

Desconstrói a tua história

Memórias do passado

Sim tu e eu estamos manchados de sangue

Sofrimento que vamos levando

Vidas e vidas

Nos nossos barcos imundos

Até atravessar o tortuoso Oceano

Sim talvez devagarinho

Chegaremos lá,

Minha amada

Com Amor e Compaixão

Chegaremos lá sim

Eu acredito em si

Na sua humilde força

Um dia lá em cima estaremos

No altar do Mundo

Brilhantes como uma constelação

Tu e eu

Lado a lado

.

Com amor,

O teu pássaro viajante

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